CD: Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro

Posted: terça-feira, 22 de junho de 2010 by Som da Tribo in Marcadores:
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Não creio que seja necessário comentar sobre a importância de Zé Ramalho na música brasileira. Desde o início dos anos 70 ele vem misturando em suas músicas suas origens nordestinas e suas influências de outros cantos do mundo. Dono de grandes clássicos da MPB, nos últimos anos o artista paraibano vem apostando em regravações e homenagens aos artistas que de algum modo o influenciaram.
Desde o ano 2000 Zé lançou nove discos de estúdio, sendo que sete deles são de regravações. Ao mesmo tempo que é interessante ouvir o vozeirão de Zé Ramalho interpretando canções de outros artistas, também há um vazio pela falta de suas composições que muitas vezes transitam por trilhas místicas e históricas. Será falta de inspiração?
De todo modo, depois de homenagear Raul Seixas, Bob Dylan e Luiz Gonzaga, dessa vez o homenageado é outro importante nome da música produzida no nordeste brasileiro: José Gomes Filho, ou melhor, Jackson do Pandeiro.
Zé reuniu em 12 faixas algumas das canções mais marcantes da carreira de Jackson do Pandeiro. São xotes, baiões, xaxados e forrós marcantes e animados. Metade do álbum traz gravações inéditas até então (“Lamento Cego”, “Quadro-Negro”, “Cabeça Feita”, “Lá Vai a Boiada”, “Forró de Surubim” e “Gafieira”). As outras seis foram fonogramas tirados de outros discos.


As gravações trazem convidados especiais. O sanfoneiro Sivuca dá sua contribuição em “Canto da Ema”, em gravação feita originalmente em 1994. Dominguinhos também colabora em “Forró de Surubim”, gravada em 2005 e inédita até agora. Zé Ramalho divide os vocais com o sanfoneiro Waldonys no clássico “Chiclete com Banana”.
As duas primeiras músicas do disco, “Lamento Cego” e “Ele Disse” são mais contidas musicalmente, mas toda a animação que deu à Jackson o título de ‘Rei do Ritmo’ começa a aflorar em “Forró de Surubim”, chegando ao ápice na já citada “Canto da Ema”.
Este álbum tem o mérito de trazer à tona canções importantes do cancioneiro nordestino um tanto esquecidas atualmente e por prestar homenagem ao Rei do Ritmo. Mas seria bom se Zé Ramalho voltasse a apostar em suas próprias canções.

***Por: Eduardo Guimarães,Território da Música

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